quinta-feira, 19 de maio de 2011

A origem do Império Romano

A ORIGEM DO IMPÉRIO ROMANO

NOV/2006

Introdução

Tratar da história de Roma, não é apenas contar a história de uma época, mas acima de tudo é referir-nos à importância de uma civilização cujo legado foi o do resgate da cidadania sempre que subjugados, oprimidos e submetidos a arbitrariedades os povos em todo o mundo.
A história de Roma antiga é formidável, já que a cultura e os avanços conseguidos por esta civilização deixou como herança uma série de características como o Latim, que deu origem também a língua portuguesa.O direito romano, até os dias de hoje, está presente na cultura ocidental muitas instituições políticas e sociais contemporâneas têm suas raízes na Roma antiga. Além disso, nas cidades atuais do Ocidente, inúmeras são as construções inspiradas em anfiteatros, basílicas e templos romanos. Cidadania e cidadão são palavras que vêm do latim “civitas”, o termo indicava a convivência das pessoas que participavam das decisões sobre os rumos da sociedade. Os romanos foram notáveis também pelas construções de estradas e pontes, a arquitetura é o grande destaque da arte romana porque buscava a harmonia entre o útil e o belo.
A verdade é que a história de Roma está significantemente ligada à história de muitas civilizações seja pela influência da língua, da arte, da vida social e política, da religião, mas principalmente marcou a história da humanidade com “sangue” e a sede de poder de seus governantes; pela Igreja Católica que fundamentou seus dogmas às custas de assassinatos e perseguições confirmando assim, de maneira irrefutável, seu passado sustentado pela tirania e ambição do qual é representante até os dias atuais e que se faz representar ainda em Roma.

Origem de Roma: explicação mitológica

Os romanos explicavam a origem de sua cidade através do mito de Rômulo e Remo. Segundo a mitologia romana, os gêmeos foram jogados no rio Tibre, na Itália. Resgatados por uma loba, que os amamentou, foram criados posteriormente por um casal de pastores. Adultos, retornam a cidade natal de Alba Longa e ganham terras para fundar uma nova cidade que seria Roma.

A história conta...

De acordo com os historiadores, a fundação de Roma resulta da mistura de três povos que foram habitar a região da Península Itálica: gregos, etruscos e italistas. Desenvolveram na região uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade, nesta época, tinha a seguinte formação: nobres proprietários de terra e plebeus (comerciantes e artesãos). O sistema político era a monarquia, a religião politeísta semelhante a dos gregos, porém os nomes dos deuses eram diferentes. A influência grega está nas artes também onde se destacava a pintura de murais e esculturas. O rei era o chefe militar e religioso, Roma era governada ainda por um Senado e pela Assembléia curial que se compunha de cidadãos (soldados) agrupados em curras (conjunto de dez clãs). O clã era um conjunto de famílias constituído de pessoas descendentes de antepassados em comum. E eram considerados escravos os devedores e prisioneiros de guerra que realizavam as mais diversas tarefas, Bem materiais e, assim, o senhor tinha o direito de castigá-lo ou vendê-lo. De uma simples aldeia, Roma transformou-se em cidade.

A República

A monarquia etrusca foi questionada pela aristocracia romana (proprietários de terra), para quem o reinado vitalício não mais representava seus interesses e se rebelaram contra o rei expulsando – o, estabelecendo uma nova organização política: a República.
A palavra “república” em latim, quer dizer “coisa de todos”. No entanto, o que se viu em Roma não foi a distribuição do poder, mas a instalação de uma organização política dominada pelos patrícios, donos de terras. Os plebeus, que eram a maioria, não tinham o direito de participar das decisões políticas.
A segurança de Roma contra os inimigos (Grécia, Etrúria e Campânia) dependia da existência de um exército forte e numeroso. Assim, era necessária a participação dos soldados plebeus. Ao tomar consciência da importância de seu papel, os plebeus recusaram-se a servir no exército, o que representou um golpe na força militar romana e iniciaram uma luta política contra os patrícios que durou um século. Os plebeus conquistaram um espaço importante em cargos da magistratura. Várias leis foram promulgadas como a lei Conuléia que autorizava o casamento entre patrícios e plebeus.
A república romana expandiu seu território por meio de várias conquistas militares; conquistaram toda a Península Itálica. Roma abriu caminho vencendo seu maior inimigo, Cartago (cidade do norte da África) que garantiu a Roma a supremacia no mar Mediterrâneo que passaram a chamar de “Mare Nostrum”. Assim dominou as regiões ocidental e oriental. Essas conquistas concentraram em Roma a riqueza retirada das sociedades dominadas. O estilo de vida romano tornou-se mais luxuoso e requintado, mas como sempre se dá, era privilégio da minoria. As conquistas militares colocam os romanos em contato com a cultura de outras civilizações, deve-se destacar a grande influência dos gregos. Nas palavras do poeta romano Horácio, “a Grécia vencida conquistou seu rude vencedor”.
A sociedade também passou por transformações. Os ricos nobres romanos tornaram-se donos de grandes faixas de terra que eram cultivadas por numerosos escravos romanos. Muitos plebeus regressaram à Itália para não servir no exército, de tal modo empobrecidos que vendiam quase tudo que possuíam.
Houve um aumento significativo do número de escravos. Roma tornou-se uma das cinco grandes sociedades escravistas da história. O mar Mediterrâneo foi um mar de comércio, mas também, se não principalmente, um mar de escravidão.Várias revoltas foram organizadas contra a república. Quase 80 mil escravos, liderados por Espártaco (personagem que já foi protagonista em vários filmes no cinema), chegou a ameaçar o poder de Roma durante quase dois anos. Vencidos, a repressão romana foi implacável e crucificou mais de seis mil escravos (esse número é uma estimativa).
A situação era grave: de um lado a plebe, famintos e miseráveis; do outro a nobreza romana, pressionada pelos líderes populares Tibério e Cairo Graco, reivindicando reformas sociais. Desarticuladas as propostas de reformas sociais dos irmãos Graco, a situação política, econômica e social da república romana entrou num período de instabilidade, desordem pública e tensão. Os senadores foram perdendo o poder, os mais destacados chefes militares ocuparam a liderança política, pois tinham os prestígios de suas conquistas no exército.
Júlio César, com sua influência militar assumiu quase todos os poderes existentes em Roma e tornou-se supremo comandante do exército. Sob seu governo, promoveu-se uma reorganização político–administrativa e distribuíram-se terras entre os soldados. E mais:
_ Impulsionou-se a colonização das províncias (áreas conquistadas);
_ Construíram-se estradas e edifícios;
_ Reformulou-se o calendário.
A transição para o Império já estava estabelecida. Em 43 a.C., Marco Antonio, Otávio e Gépido iniciaram uma série de lutas políticas entre eles motivados, entre outros fatores, pela relação de Marco Antonio e a rainha egípcia Cleópatra. Dessas lutas, Otávio saiu-se vitorioso, tornando-se o principal governador de Roma e dos territórios conquistados, dentre os quais o Egito.
A partir de 27 a.C., nascia o Império Romano em toda a magnitude e plenitude.
Império Romano
- paz romana -
(pax romana – em latim)

O Império passou a desfrutar um período de paz até o fim do século II abrangendo os governos de vários imperadores que podem ser agrupados em 4 dinastias:
_ Dinastia dos Júlio – Claudius (14-68) – Tibério- Calígula- Cláudio- Nero;
_ Dinastia dos Flávios (69-96) - Vespasiano – Domiciano;
_ Dinastia dos Antoninos (96-192) - Nerva –Trajano-Adriano-Marco Aurélio-Antonino Pio Cômodo;
_ Dinastia dos Severos (193-235) - Sétimo Severo -Caracola - Macrino- Heliogábalo-Severo Alexandre.

Pão e Circo
- O teatro da crueldade (os séculos da era cristã)

Com uma população de 1.200.000 habitantes por todas as partes do Império, muitos sem ter ocupação, as autoridades romanas distribuíam periodicamente, alimentos (pão) e promoviam diversos espetáculos públicos (circo). Assim, “pão e circo” foi a fórmula utilizada para diminuir as tensões sociais. Os romanos adoravam espetáculos de circo e teatro.Nos circos, assistiam acrobacias realizadas por ginastas e equilibristas.Nos teatros, a peça dos mais variados gêneros: sátiras (composição poética crítica), tragédia (composição poética que focaliza terror e piedade) e pantomimas (representação teatral sem uso de palavras, apenas gestos).Mas, do que eles gostavam mesmo, era dos combates entre gladiadores e o palco maior era o Coliseu (Colosseum, em latim), que se tornou conhecido como por seu tamanho colossal.
Durante séculos, sucederam-se em sua arena cenas extremamente cruéis: milhares e milhares de homens e animais foram massacrados sob os olhares satisfeitos; grande número de cristãos foi submetido aos gladiadores e as feras. Se a arena ficava embebida de sangue, era recoberta de areia, e o “espetáculo” continuava.
Esse colosso serviu para derramamento de sangue e sacrifícios, de coragem e martírio.E também do apogeu de um império que foi o maior do mundo e do qual o Coliseu é o símbolo incontestável. Abaixo, temos um panorama de Roma durante o Império:
_ Crenças romanas: Os romanos buscavam a proteção dos deuses e tentavam obter seu auxílio com oferendas, sacrifícios e festivais.Grandes templos foram construídos para os deuses oficiais do estado, enquanto as famílias comuns adoravam seus próprios deuses em casa.
Deuses romanos: Júpiter, Juno, Minerva, Marte, Vênus, Ceres, Vesta, Apolo, Diana, Vulcano, Mercúrio, Baco.
_ O exército: O exército romano era uma imensa e bem sucedida máquina militar, disciplinada e bem treinada.Sem ele, o império romano não teria existido.Ele oferecia uma boa carreira aos jovens recrutas, com bons pagamentos, condições e uma oportunidade de conhecer mais o império.Os cidadãos romanos alistavam-se como legionários; os não-cidadãos, como auxiliares.Os jovens nobres quase sempre se alistavam como primeiro passo na carreira política.
_ Roupas e Classe social: As roupas que as pessoas usavam mostravam sua posição na sociedade - os romanos eram muito atentos a isso.Meninos de 14 anos (se fossem filhos de cidadãos) usavam uma toga como uma lista púrpura (a toga praetexta). Com 14 anos, trocavam-na por uma inteiramente branca (a toga virilis). Os senadores (membros do senado) também usavam a toga praetexta. A do imperador era púrpura. As mulheres ricas usavam um manto longo por cima da túnica, com um xale, chamado pala, drapejado sobre a cabeça e os ombros.
_ Viagem e Comércio: Roma era o centro de um imenso império, e o resto da Itália era considerado uma província desse império.O excelente sistema de estradas, a paz e a segurança da época, conhecida como pax romana, encorajavam as pessoas a viajar e a comerciar no exterior.Há evidências arqueológicas que mostram que os romanos fizeram comércio com todos os povos do mediterrâneo.Levaram com eles os costumes e a cultura romana e também adotaram idéias novas, como o cristianismo, que se originou no oriente.

_ Campo: Os principais cultivos eram azeitonas para fazer azeite, uvas para vinho e cereais para pão – os ingredientes básicos da alimentação romana.A população de Roma cresceu tão depressa, que os cereais tiveram de ser importados, em sua maioria do Egito.
_ Escravos: Sem escravos o império romano teria sucumbido.Eles faziam os trabalhos mais sujos e difíceis, e também serviam os ricos. A maior parte deles era de prisioneiros de guerra.Os escravos gregos quase sempre eram letrados e, portanto, muito valorizados até como professores e médicos.Alguns eram bem tratados e eventualmente obtinham a liberdade.Outros se tornavam muito influentes, como secretários de senadores ou até mesmo de imperadores.A maioria, porém, levava uma vida miserável.
_ Língua: Muitas línguas diferentes eram faladas em todo o império romano, mas a língua oficial era o latim.Isso era importante, pois trazia certa unidade às diversas partes do império.
_ Letras e Numerais: A maioria das línguas ocidentais ainda utiliza o alfabeto básico latino. O alfabeto usado pelos romanos tinha 22 letras. Não existia o w nem o y; tanto o i como o j eram escritos como i; e o u e o v eram escritos como v. Os numerais romanos, porém, são usados hoje em dia apenas em alguns casos.São os seguintes: I=1, V=5, X=10, L=50, C=100, D=500 E M=1000.
A partir do século III, o Império Romano entrou num longo período de crise que se agravou quando os romanos tiveram de enfrentar os povos que designavam de “bárbaros” (visigodos, ostrogodos e alamanos).
Mas essa é uma outra história...

Conclusão

O Império Romano foi, sem dúvida, a maior dominação já estabelecida pelos homens sobre outros homens. Por conta disto, não devemos levar em consideração somente os fatos trágicos que marcaram esse acontecimento na história da humanidade, ao contrário. Durante a dissertação sobre a origem do Império Romano, enfatizamos toda a influência que exerceu e exerce ainda hoje na história de diversas civilizações no mundo inteiro. A fascinação sobre a história de Roma já foi tema de livros, filmes, romances, peças teatrais, e pesquisadores não param de encontrar resquícios que montam e remontam este capítulo de três séculos quando os valores humanos, sociais, políticos, religiosos, estavam surgindo de forma a consolidar e fundamentar a cidadania, o direito, a arte e o cristianismo.
O que restou de concreto é pouco. A humanidade perdeu documentos importantíssimos com o incêndio em Roma, com as guerras que eram uma constante. Porém, o mais importante é saber que muitos dos erros já não cometemos, que difundimos a arte e a cultura, mas também a fundimos com a nossa própria realidade em prol de gerações futuras... Nos resta dizer que a história tem o fascinante poder de trazer do passado um marco, elos, filosofias, arte e conhecimento para estabelecer a Liberdade.
“Nenhum império sobrevive às custas da humilhação, da miséria e do descaso com seu povo. Mesmo que séculos se passem, a desgraça acaba se abatendo sobre a injustiça”.
G.S.
Bibliografia:
Cotrim, Gilberto
História Global
Editora Saraiva – 1a.Edição/ 2002
UNIVER CIDADE
Letras – Unidade Méier
Disciplina – Latim
Professora: Greice Drumond
Grupo: Kátia de Paula
Rafael Fraga
Daniel Machado
Fátima Lins
Lúcia Montebello

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